Dizem que as mulheres têm o sexto sentido mais apurado que os homens, que conseguimos perceber o perigo eminente mais rapidamente, que percebemos quando algo está errado, e principalmente, que sempre sabemos quando uma relação está para acabar. Se isso tudo for verdade, o que aconteceu com o meu sexto sentido? Será que a bateria acabou e eu não fui avisada de que ela deveria ser recarregada? Detesto ter que admitir isso , mas sim, eu fui pega desprevenida, na verdade não tão desprevenida assim, no fundo eu já esperava que algo assim acontecesse (seriam os resquícios da bateria do sexto sentido?) Não! Pra mim não passa do chamado KARMA, sabe? Minha mãe sempre me avisou para não brincar com a comida e nem com os sentimentos das pessoas, que um dia eu ainda iria receber tudo isso de volta. Pois é mãe, o dia chegou! E eu não estou nem um pouco a fim de dar as boas vindas a ele. Estava com vontade de me trancar no quarto e nunca mais sair, com vontades estúpidas e sem noção, mas que felizmente já passaram. Passaram tão rapidamente que eu me achei a maior de todas as idiotas, a mãe das trouxas e desesperadas. Sem mais o que fazer e muito menos o que pensar, resolvi ler as últimas tragédias da vida amorosa de outra escritora. Abri os seus últimos textos e me deparei com um em particular que mexeu muito comigo: “Contei que era escritora, coisa e tal. Trabalhava em casa. Tinha até uma dúzia de fãs aqui e ali. E ele olhou sério pra mim e falou: você escreve sobre amor, não é? Poxa. Tá tão óbvio assim? Só porque sou menina de batom rosinha? Só porque sou tão carente e possessiva que não consegui ficar longe do meu computador 4 horas? Só porque meu i-pod só tem musiquinha mela cueca? Porque falei que tenho fãs meninas? Por que? Heim? Por que? E ele me mostrou com simplicidade da onde tinha tirado aquela idéia, apontando para a tecla “A” do meu computador: “tá apagada, de tanto você escrever sobre o amor o “A” apagou”. Olhei para o meu teclado e uma lágrima silenciosa escorreu pelo meu rosto, minha tecla “A” também estava apagada. Era isso que acontecia quando a gente batia tanto em uma tecla só? Ela se apagava? E se for assim com todas as coisas da nossa vida? Tudo aquilo pelo que a gente luta/batalha para conseguir um dia acaba? Não achei as devidas respostas ainda, mas temo dizer que a maioria seja respondida com um singelo sim. Olhei de novo para o meu teclado e percebi que não era só a tecla “A” que estava apagada, muitas outras também estavam no mesmo estado, na verdade a grande maioria. Parei um pouco, refleti, e cheguei a conclusão de que na verdade nada disso importa, se o “A-mor” teve razão para se apagar é porque ele foi usado muitas e muitas vezes, teve dias felizes e com certeza textos marcantes. Mas isso não quer dizer que ele morreu, ele apenas se apagou. Só porque aparentemente não podemos ver algo não quer dizer que ele na verdade não exista mais. As letras podem estar apagadas, mas ainda estão lá, esperando meus dedos ansiosos escreverem outro texto amargurado. Estou novamente olhando para as letras apagadas de meu teclado, e por mais que eu tente a única coisa que eu consigo enxergar com essas letras apagadas é: "Tudo passa, mas realmente deixa marcas! "
2007 text/
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
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