sábado, 22 de novembro de 2008

Vinho tinto e rapidinhas.

Alice pela primeira vez não conseguiu chorar. Sentou no piso do banheiro, atrás da porta do quarto, no parapeito da sacada, no balcão da cozinha, e nada. Após quinze tristes minutos de raiva, indignação e desprezo por si mesma, Alice percebeu que aquela talvez fosse a melhor coisa que já tivesse acontecido com ela até aquele momento.

Homens, ela já sabia há tempos, eram todos iguais, o que mudava era o valor da conta bancária. Mas alguns ainda conseguiam confundir e irritar sua cabeça.

Sabendo que isso ia acontecer, saiu de casa preparada. Tinha as mentiras e respostas prontas na ponta da língua.

Chega de se enganar achando que o cara errado, possa de uma hora para outra, passar a ser o cara certo. As coisas não acontecem assim tão rapidamente como deveriam.

Ansiou a noite toda pelo momento em que fosse preciso usar as frases já ensaiadas, mas ele não parecia chegar nunca. E isso estava atrapalhando seus planos. Não queria sair de vitima mais uma vez. Queria poder dizer que teve tudo sobre controle e que a culpa era exclusivamente dele.

As horas passavam e nada acontecia, as oportunidades deixavam de ser aproveitadas por casos mal resolvidos, e isso mais do que tudo irritava Alice.

Então ela resolveu agir, botar as garras pra fora e assumir quem realmente controlava a situação. E como num piscar de olhos tudo desabou. Ela mais uma vez havia chego tarde, e ele já estava com dedos e braços entrelaçados em outra.

Nos segundos que levaram para a idéia se instalar em sua cabeça, Alice tomou uma decisão. Ele poderia ter resolvido tudo nos seus sujos e infiéis modos, mas ela não deixaria ele ficar com o gostinho de vitória na boca.

Levou apenas mais vinte minutos para chegar em casa e descobrir que aquilo não ia lhe fazer chorar. A cara de seu ex-novo amigo parecia lhe divertir mais do que entristecer. E foi com a constatação de como apenas algumas palavras poderiam facilmente destruir um homem que ela resolveu abrir uma garrafa de vinho.

Beber sozinha só era agradável nessas horas, uma taça de tinto e um maço de cigarros era a melhor companhia que ela poderia desejar no momento.

Todos sempre diziam a mesma coisa: Alice, você é única. Nunca conheci alguém assim como você. Seria bom se mais mulheres agissem assim e blábláblá. Mas se ela era tão boa assim, porque ninguém até agora tivera coragem suficiente de lhe assumir?

Ela só era boa escondida? Ou só umas rapidinhas bastavam?

Por muito tempo ela também achou que isso era o suficiente, na verdade ela nem gostaria de ter nada sério nessa altura do campeonato. Mas aquelas afirmações não conseguiam sair de sua cabeça, estavam impregnadas, assim como a imagem de uma outra loira sentada na cadeira que uma vez fora dela.

A garrafa de vinho secou, os cigarros acabaram e as lágrimas ainda não tinham conseguido sair.
Olhando para o relógio e pensando no quão cedo teria que se levantar na manhã seguinte, Alice resolveu ir dormir.

Enquanto rolava de um lado para o outro antes de adormecer, a pergunta que não queria calar a atormentava cada vez mais: Porque se dar ao gasto de todo um jogo de sedução se no final ele só queria me comer?

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