sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O começo do medo.

Enquanto voltava para casa, após mais uma noite de bebedeira, Alice percebeu que se sentia arrependida do que havia acabado de fazer. Essa não era a primeira vez que essa situação ocorria, nas últimas semanas foram muitas às vezes em que ela demorou alguns minutos a mais para chegar em casa.

Mas das outras vezes havia sido diferente, a sensação de mistério, e até mesmo de êxtase, encobriam a verdade que ela tanto queria esconder.
Agora era diferente, em vez de se sentir desejada, ela se sentia suja, usada, como se tudo aquilo tivesse sido a coisa mais errada do mundo.

Ao sentir uma lágrima escorrer no seu rosto, o movimento foi involuntário, socou o volante do seu carro, na tentativa de fazer com que a raiva que ela sentia de si mesma pudesse ser passada pra ele. Porque ela tinha concordado com aquilo? As desculpas antes usadas para encobrir a verdade já não faziam mais sentido.

Alice era uma menina querendo se tornar mulher, não era nem um nem outro, era uma mistura perfeita das duas. Tinha a mania de mentir sua idade, não para se sentir mais nova, mas porque gostava de joguinhos de mistérios e porque idade nunca interessou para ela. A tentação, a vontade e até mesmo o tesão, estão acima de coisas mesquinhas como idade. Ela não pode ser medida por aniversários já feitos, mas pelo tamanho do coração e da mente, ela já havia conhecido muitos velhos mais novos do que os próprios filhos e vice e versa.

Esse seu novo amigo, por exemplo, numericamente era mais novo do que qualquer outro que ela já tivesse tido, mas física e mentalmente ele era sem sombra de duvidas muito mais experiente do que todos os outros juntos.

Mas pensar nisso agora não era mais engraçado, o cabelo raspadinho já não mais a fazia rir, o jeito dele dizer seu nome já não a excitava mais. Ela sabia que havia algo de errado mesmo antes de tudo começar. Mas a tentação foi maior, muita coisa já havia ocorrido nesse meio tempo e ela estava realmente a fim de dar o próximo passo.

Mas não deu. Algo havia acontecido no caminho até a casa dele que a fez mudar de idéia. A vontade que antes ela tinha de estar com ele, não mais existia.

Enquanto voltava para casa o tesão ainda latente tomava conta dela, ela queria mais do que apenas uma noite de prazer, queria poder deitar nos seus ombros e dormir, sem ter que apenas o deixar em casa e voltar sozinha para a sua.

A vontade ainda existia, mas agora a insegurança era maior.

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